quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Um filósofo de peso
é desta sentença o autor:
o beijo é fósforo aceso
na palha seca do amor.

Saudade - um suspiro, uma ânsia,
uma vontade de ver
a quem nos vê à distância
com os olhos do bem-querer.

Por entre folhas de parra
e espigas de trigo novo
nasceu, chorando, à guitarra,
todas as dores de um povo.

É triste sofrer calado,
do resto do mundo ausente;
fica a gente consolado
cantando as mágoas que sente.

A saudade é calculada
por algarismos também:
distancia multiplicada
pelo fator "querer bem.''


Manuel Bastos Tigre (1882-1957).

Estes São Alguns Versos Deste Poeta pernambucano, de Grande Inspiração.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A Música Como Ciência (Grécia Antiga e Idade Média)

Na Grécia Antiga, a música tinha um papel importante na vida militar, religiosa e no teatro, diferentemente das outras artes e ciências, a música Grega era desconhecida no período medieval, O legado teórico musical grego porém era conhecido, pois era à base da teoria musical medieval. A música grega era também bastante associada à mitologia, seus primeiros intérpretes seriam os Deuses e Semideuses, como Apolo e Dionísio entre outros, as pessoas acreditavam que a música tinha poderes mágicos, que ela podia curar doenças , fazer milagres na natureza, purificar o corpo e o espírito. A música era indissociável das cerimônias religiosas, sabe-se que os instrumentos utilizados aos cultos a Apolo era a lira e aos cultos a Dionísio era o aulo. A música era uma das artes das musas que eram as Deusas dos campos e das montanhas, eram em numero de 9, aos homens elas doavam a inspiração poética, os gregos sempre consideraram as musas as deusas da educação, que na época equivalia ao conhecimento da literatura, ou seja, da poesia, e esta estava inteiramente ligada à música e a dança. Nos ensinamentos de Pitágoras a música e a aritmética não eram disciplinas separadas, para alguns pensadores gregos a música estava também intimamente ligada á astronomia, Cláudio Ptolomeu, acreditava que as bases matemáticas eram as bases dos sistemas de intervalos musicais e dos sistemas dos corpos celestes, acreditava que certos modos ou notas correspondiam a um ou outro planeta, para os gregos a poesia e a música eram sinônimos. Platão e Aristóteles defendiam que a música juntamente com a ginástica seriam as ciências capazes de produzir pessoas boas, a Música para a harmonia da alma e a ginástica para o aprimoramento do corpo. Na matemática é que se encontram as chaves das estéticas medievais, para Boécio era através dos números que seriam estudadas as proporções geométricas e os movimentos temporais da música. Sem a Matemática qualquer ciência seja a música, ou a geometria, ou qualquer outra ciência não poderia existir. Boécio acreditava que todas as coisas estavam organizadas harmonicamente na ordem dos números, por obra da razão divina (do Criador). No começo de tudo portanto, está o número. A música portanto seria a ciência dos números que governavam o mundo. Com forte influencia Platônica, Boécio acreditava que as relações da arte e da música imitavam o modelo divino, que era perfeito, ou seja, em justas proporções. A harmonia que governava a arquitetura, da mesma forma governava a música e todas as coisas do universo. Santo Agostinho também com Influência platônica e pitagórica fazia ligação da música com a matemática. Santo Agostinho acreditava que a música fazia parte da Numerositas Divina, a ordem matemática desejada por Deus. Durante a Grécia antiga e também na Idade Medieval a música não era tratada como entretenimento, mas sim como ciência, nos antigos tratados de política, religião, educação e outros, é possível encontrar menções sobre a música, pela música ter uma grande intimidade emocional no ser Humano, é que esquecemos as suas funções científicas.


Por Hamilton Lucca.


Bibliografia:

ARISTÓTELES, Política.
São Paulo: Editora Martin Claret, 2007.

CARPEAUX, Otto Maria. O livro de ouro da história da música.
Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

GROUT, Donald J, PALISCA, Claude V. História da música ocidental.
Lisboa: Gradiva, 2001.

MASSIN, Jean, MASSIN, Brigitte. História da música ocidental.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

PLATÃO. A República.
São Paulo: Editora Martin Claret, 2007.

TOMÁS, lia. Ouvir o lógos: música e filosofia.
São Paulo: Editora UNESP, 2002.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Médico e Músico.

Festa social, todo mundo com copo de whisky na mão. Dois sujeitos conversam:

- Olá, tudo bem?
- Sim, e você, como vai?
- Vou bem. Me disseram que você é músico?
- Sim.
- Nossa, e que instrumento você toca?
- Toco ZABUMBA.
- E toca em quais orquestras?
- Na OSESP e na OSUSP.
- Que beleza, hein? Deve ser cansativo, não?
- É o trabalho, né?
- Realmente, admiro vocês músicos, grande profissão essa. Até queria que meu filho fizesse música, mas o garoto não tem jeito, insiste que quer ser médico ou advogado.
- Ah, hoje em dia é assim, a garotada não tem jeito. Mas, e você, o que faz da vida?
- Eu sou médico.
- Jura? Mas como assim?
- Trabalho no Hospital das Clínicas.
- Clínicas, não conheço. E faz o que lá?
- Sou cardiologista.
- Mas você tem um emprego não tem?
- Então, trabalho no hospital.
- Nas horas vagas?
- Não. Esse é o meu emprego.
- Mas ganha pra isso?
- Ganho sim, dá pra viver.
- E você não estudou? Não quis saber de faculdade?
- Estudei, fiz faculdade de medicina.
- Ah, é? Não sabia que tinha. Que interessante. Sabe, eu fui médico amador quando era jovem, uma vez fiz até uma operação num rapaz que tinha sido atropelado. Usei uma flanela de carro pra estancar o sangue e uma faca pra abrir a barriga do rapaz e parar a hemorragia. Eu até gostava, mas não levava muito jeito pra coisa. E aí minha mãe até disse: “Larga disso, garoto, vai estudar música”.
- É, queria ter tido uma mãe assim.


"O engraçado é que o contrário não é ridículo."

Desconheço a autoria do texto.